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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Vaticano contesta cardeal que condenou homossexuais.

Na Cidade do Vaticano
Cardeal Bertone relacionou homossexualidade à pedofiilia

O Vaticano contestou hoje as polêmicas declarações do cardeal Tarcisio Bertone no Chile, nas quais relacionou a pedofilia a homossexualidade, e afirmou que não considera de sua competência fazer afirmações de caráter psicológico ou médico sobre estes assuntos.

O cardeal Bertone, secretário de Estado vaticano, descartou uma relação entre a pedofilia e o celibato sacerdotal e afirmou que os casos são relacionados à homossexualidade.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, disse que as declarações de Bertone se referiam ao problema dos abusos por parte dos sacerdotes na Igreja "e não à população em geral".

"As autoridades eclesiásticas não consideram de sua competência fazer afirmações gerais de caráter psicológico ou médico, para as quais se remetem naturalmente os estudos de especialistas e às pesquisas dirigem", afirmou Lombardi.

Com essas palavras, segundo os analistas, a Santa Sé "se distância" da afirmação por seu "número dois".

Lombardi acrescentou que os únicos dados que dispõem as autoridades eclesiásticas sobre o tema dos abusos sexuais de menores por parte de sacerdotes são os facilitados recentemente pelo "promotor" da Congregação para a Doutrina da Fé, encarregada destes casos, Charles Scicluna.

As declarações de Bertone geraram uma forte polêmica e colocaram em pé-de-guerra as ONGs de defesa dos homossexuais, entre estas a italiano Arcigay, que denunciou "o cinismo, a falta de escrúpulos e a crueldade" da hierarquia do Vaticano ao vincular a homossexualidade à pedofilia, quando escondeu delitos sexuais perpetrados por parte de religiosos sobre menores.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Por a culpa nos outros?







NOTA OFICIAL DA ABGLT SOBRE DECLARAÇÕES DO VATICANO REFERENTES À HOMOSSEXUALIDADE
(english version below)



A ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – é uma entidade de abrangência nacional, fundada em 1995, que congrega 237 organizações congêneres e tem como objetivo a defesa e promoção da cidadania desses segmentos da população. A ABGLT também é atuante internacionalmente e tem status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas.


Diante da declaração do Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que afirmou nesta segunda-feira (12/04/2010) que é o “homossexualismo” (sic), e não o celibato, que deve ser relacionada à pedofilia, a ABGLT vem a público se manifestar:

A ABGLT deixa claro no seu estatuto que é contra a pedofilia, seja ela praticada por pessoas de qualquer orientação sexual ou identidade de gênero, heterossexuais ou homossexuais. A ABGLT, no seu primeiro Congresso, realizado de 20 a 24 de janeiro de 2005, em Curitiba, Paraná, Brasil, deliberou pela defesa e garantia do estado laico e contra a exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes. A ABGLT entende que a pedofilia é um transtorno, conforme a Classificação Internacional de Doenças 10 - F65.4: 302.2, e que o abuso sexual de crianças e adolescentes é crime. A ABGLT mantém uma campanha permanente contra a pedofilia e o abuso sexual de crianças e adolescentes: http://www.abglt. org.br/port/ luta_pedofilia. php ;

Diversos estudos sobre a pedofilia e sobre o abuso sexual de crianças e adolescentes apontam que a maioria destes crimes é perpetrada por heterossexuais, sem que isto signifique que a heterossexualidade cause a pedofilia. As questões relacionadas à pedofilia propriamente dita são muita complexas e não podem se reduzir a tão simplista diferenciação baseada na orientação sexual dos agressores. O que surge de fato como tendência nos estudos é que os crimes são praticados especialmente por pessoas que têm proximidade, exercem autoridade e possuem confiança em relação às crianças e aos adolescentes, como pais, familiares, religiosos;

A ABGLT não aceita esta provocação do Vaticano contra as pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT, que não passa de uma tentativa de desviar a atenção do problema maior que se prolifera dentro do seio da Igreja Católica, o qual deve - sim - ser explicado e esclarecido para a sociedade em geral;

A ABGLT defende um Estado Laico e entende que a liberdade religiosa não garante ao Vaticano o direito de julgar com suas próprias leis os seus pares que abusam de crianças e adolescentes. A ABGLT entende que religiosos que cometam crimes de abuso sexual de crianças e adolescentes, além de ter o devido acompanhamento dos serviços de saúde, devem ser submetidos às penas previstas pela lei secular, assim como o restante da população. Assim, a ABGLT se soma às demais instituições de direitos humanos e pede que o Vaticano se explique sobre estes crimes cometidos por sacerdotes católicos, e que não culpe de forma irresponsável a comunidade LGBT;

A ABGLT, diferente dos setores fundamentalistas religiosos, defende a educação sexual para crianças e adolescentes, de tal modo que aprendam a ter autonomia sobre seu corpo, e a se proteger e denunciar abusos dentro de casa, nas igrejas e em qualquer outro lugar;

A ABGLT convoca as organizações profissionais, de direitos humanos e LGBT, nacionais e internacionais, a se pronunciarem sobre o assunto;

A ABGLT espera que o Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, tenha o mínimo de respeito para as famílias das crianças abusadas por padres e bispos da Igreja Católica, e que, ao invés de jogar a culpa de seus escândalos para a comunidade homossexual, reflita sobre o passado e o mal que historicamente a Igreja tem feito aos negros, deficientes, mulheres, judeus, ciganos, homossexuais e crianças e adolescentes em todo o mundo. Será que futuramente a Igreja vai pedir perdão também aos homossexuais por mais este erro que está cometendo agora?

Viva o Estado Laico. Pelo direito da Educação Sexual de crianças e adolescentes, pela punição (conforme as leis seculares) de religiosos que abusam sexualmente de crianças e adolescentes, por uma nova Igreja que respeite os direitos humanos de todos os cidadãos e todas as cidadãs, sem distinção de qualquer natureza.


Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Temores de onda de violencia na Africa do Sul.



Foto: Reuters: Neo-nazista sul-africano Eugene Terre'blanche faz gesto durante reunião de direita no 21o aniversário do Movimento
Por John Mkhize


VENTERSDORP, África do Sul (Reuters) - Simpatizantes de Eugene Terre'blanche participaram nesta segunda-feira do velório do líder radical branco, realizado na fazenda dele, cujo assassinato gera temores de uma onda de violência racial na África do Sul.


"As emoções estão muito elevadas no momento", disse André Nienaber, parente de Terre'blanche, morto no sábado com golpes de facão, supostamente por dois empregados negros que se queixavam da falta de pagamentos.


O Movimento de Resistência Africâner (AWB, na sigla em língua africâner), dirigido por Terre'blanche, que estava marginalizado desde seu fracasso na luta para manter o regime racista do apartheid, na década de 1990, descartou qualquer retaliação violenta pela morte de seu líder, que os supremacistas brancos atribuíram à retórica inflamada do líder da juventude do Congresso Nacional Africano (CNA), o partido no poder.


"O AWB não vai se envolver em nenhuma forma de retaliação violenta para vingar a morte do senhor Terre'Blanche", disse Pieter Steyn, general da AWB, a repórteres, pedindo que se mantenha a calma.


Lideranças sul-africanas pediram calma no país, que dentro de pouco mais de dois meses será a sede da Copa do Mundo, e que enfrenta graves problemas de criminalidade.


Independentemente da motivação do crime, ele expõe a polarização racial que persiste na África do Sul 16 anos após o fim do apartheid.


Adversários do CNA acusam o líder da sua ala juvenil, Julius Malema, de ter inflamado seus seguidores com sua retórica, e particularmente por cantar um hino da época do apartheid, com a frase "mate o boer" - palavra que significa "fazendeiro" e designa os descendentes dos colonizadores brancos. A Justiça proibiu essa canção.


De toda a África do Sul, simpatizantes de Terre'blanche chegam a Ventersdorp, localidade rural um pouco mais de 100 quilômetros a oeste de Johanesburgo. O portão da fazenda dele está cheio de coroas de flores, e há também um ursinho branco de pelúcia.


Evidentemente irados, muitos dos participantes do velório não quiseram falar à imprensa. A polícia assiste a tudo de dentro dos seus carros, para evitar problemas.


Outros momentos tensos devem ocorrer durante a semana - na terça-feira, quando os dois acusados da morte serão levados a um tribunal, e na sexta-feira, quando Terre'blanche será enterrado.


O AWB - cuja bandeira lembra a suástica nazista - tem pouca reverberação entre os brancos sul-africanos, que compõem 10 por cento da população do país.


Mas alguns ativistas de ultradireita chegaram a realizar ataques para tentar preservar o domínio da minoria branca, e grupos africâneres dizem que há grande tensão nas comunidades agrícolas dos brancos, por causa de uma série de ataques a fazendeiros.


"Infelizmente, se não for visto que o governo faz algo muito sério e efetivo agora, as pessoas vão pegar a lei em suas próprias mãos", disse a uma TV local Dan Roodt, do Grupo de Ação Pró-Africâner.


O presidente Jacob Zuma, do CNA, condenou o homicídio, manifestou solidariedade e pediu a todos os sul-africanos que convivam em harmonia e não deixem que ninguém se aproveite da situação para incitar o ódio racial
Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/100405/mundo/mundo_africas_terreblanche_morte

domingo, 4 de abril de 2010

Travestis poderão usar nome social na escola.

Travestis podem usar nome social nas chamadas em nove estados






BRASIL 04.04.2010 - 18H24
Redação CORREIO


O desconforto que travestis e transexuais passam quando estão em sala de aula e têm de responder à tradicional chamada de presença com o nome de batismo está com os dias contados em pelo menos nove estados brasileiros. A medida vale para os alunos com mais de 18 anos.

Esse é o caso de Abimael de Lima Alves, 26 anos, que estuda na Escola Estadual Maria Ivone, em Maceió, e vai passar a responder como Bianca. 'Sofri muito em ser chamada pelo meu nome de batismo. Fiquei muitos anos sem ir à escola por causa do preconceito. Agora que estou voltando aos estudos, ser tratada pelos professores como Bianca vai ser ótimo, muito mais agradável e gentil comigo'. Alagoas está entre os estados mais violentos contra homossexuais.

Segundo a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), as secretarias estaduais de Educação de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba, Pará, Goiás e Alagoas já permitem que o aluno tenha o nome social escrito em sua documentação escolar.

'Em alguns lugares só está faltando pequenos ajustes para isso entrar em prática', disse o Toni Reis, presidente da associação, lembrando que nem todos os estados já regulamentaram a maneira como isso será feito durante o ano letivo.

Bianca disse que sua sexualidade começou a se transformar aos 14 anos. 'Pouco tempo depois, fiquei três anos sem estudar. Eu tentava voltar para a escola, mas tinha de parar no meio do ano por causa da violência que eu sofria, sem falar do preconceito, tanto dos alunos como dos professores. Fisicamente, tenho cabelos compridos, uso maquiagem, mas ainda não tenho silicone. Não sou tão diferente assim.'

Toni Reis disse que o uso do nome social nas escolas será uma importante ferramenta para diminuir a falta de inclusão dos transexuais e travestis na sociedade. 'Percebemos que muitos deles têm baixa escolaridade, o que inevitavelmente acabava levando essas pessoas para a prostituição. Quando o preconceito deixar de existir nas escolas, não tenho dúvidas que veremos travestis e transexuais com formação superior, com títulos de mestre e de doutor.'

Quatro dos nove estados que passarão a usar nome social dos transexuais e travestis nos documentos escolares estão entre os que mais registram casos de homicídio contra homossexuais GLBT.

De acordo com pesquisa realizada pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) em 24 estados e o Distrito Federal, foram registrados 195 assassinatos contra gays, travestis e lésbicas em 2009. O levantamento não conta com dados do Acre e do Amapá.

A Bahia contabilizou 21 gays, uma lésbica e três travestis mortos. O Paraná somou oito gays, 15 travestis e duas lésbicas assassinadas. Os dois estados lideram o ranking feito pelo GGB e já autorizaram o uso de nome social nas escolas.

São Paulo registrou a morte de sete gays e sete travestis. Pernambuco vem em seguida com o assassinato de dez gays, uma lésbica e três travestis. Minas Gerais teve seis mortes de gays e oito travestis. Dos três estados, apenas São Paulo já prevê o uso de nome social nas instituições de ensino.

Alagoas somou sete gays e quatro travestis assassinados no estado em 2009. O estado já está capacitando professores e funcionários de escolas a chamar travestis e transexuais pelo nome escolhidos por eles.

Os profissionais do sexo estão entre os que mais morrem no país, com 37 vítimas no total, ainda segundo a pesquisa do GGB. O levantamento mostra que 13 professores e nove cabeleireiros foram mortos com violência. As vítimas que não tiveram a profissão identificada somaram 71 casos em 2009.

Segundo Irani da Silva Neves, gerente de Educação Étnicorracial e de Gênero da Secretaria de Educação de Alagoas, o nome social vai ser usado nos livros de chamadas, cadernetas escolares, históricos, certificados e declarações das instituições. “A sociedade já reconhecia a orientação sexual do público GLBT e a escola estava negando esse reconhecimento.'

Para Nildo Correa, presidente do Grupo Gay de Alagoas, a possibilidade de poder ser tratado com o nome diferente do que está nos documentos oficiais vai permitir que muitos transexuais e travestis veoltem ao estudo.

'É muito importante que isso ocorra não só em Alagoas, mas no país todo. Só assim poderemos quebrar a barreira do preconceito e da violência, principalmente no ambiente escolar. Muitas vezes, o que acontece dentro da escola não chega aos olhos das autoridades.'

Desde 2008, o Ministério da Saúde reforçou a orientação aos funcionários de postos de saúde e hospitais de usar os nomes sociais de pacientes gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais

sábado, 3 de abril de 2010

Rede de lésbicas pesquisadoras da Bahia para o mundo.

Para que fiquemos fortes é necessário estarmos juntas!


Em janeiro de 2010, na 5ª Conferencia Regional da ILGA-LAC - Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, pessoas Trans e Intersex - um grupo de mulheres se reúne com a finalidade de construir uma rede, cujo conteúdo central é a desconstrução da lesbofobia nas pesquisas de cunho científico. Sentíamos que naquele momento era possível dá o primeiro passo, uma vez que éramos algumas de nós ligadas ao mundo da pesquisa, e ao mesmo tempo, claramente insatisfeitas com a manipulação de dados estatísticos sobre as mulheres lésbicas.


O desejo de construir “algo” que nos déssemos à voz mais legitimada á desconstrução da heterossexualidade compulsória e do patriarcado foi o impulso inicial. De um lado, contávamos com a presença de lésbicas ativistas, oriundas de organizações não governamentais. Do outro lado, pesquisadoras doutoras, mestrandas, graduandas em fase de TCC. Neste sentido, era uma presença em carne e osso de experiências advindas de dois lados que por vezes se constrói como opositores. Possivelmente, este seria o primeiro entrave para se estabelecer um diálogo e ações mais frutíferas voltadas para um projeto coletivo e utópico.



Seguindo em frente na Conferência da ILGA as tessituras eram criadas não com afetividades, mas sim, com afinidades eletivas, sabíamos que éramos vilipendiadas por sermos encapsuladas numa identidade que nos fazíamos a Outra, que não santa, que não puta, que não mulher, mas sim, como alcoólatras, como passionais, como um ser abjeto.

Enfim, nos reunimos éramos oito completaríamos a nona, e assim, convidamos a companheira transexual lésbica, porque sabíamos que a nossa identidade deveria não ser simplesmente aquela que nos enquadraram, mas sim, uma re-invenção de uma categoria política que não nos levássemos às novas exclusões. Assim, foi de um desejo que surgiu a rede de pesquisadoras lésbicas.

No sábado a rede é lançada oficialmente, mas foi no dia anterior que havíamos construídos os nossos primeiros objetivos, abaixo elencados:




Objetivo geral:

Estimular produções científicas elaboradas por pesquisadoras lésbicas, visando a desconstrução de conceitos/ideologias heterossexistas, patriarcais, capitalistas, racistas e lesbofóbicas.

Ojetivos específicos :

- Produzir conhecimento para a desconstrução dos conceitos e das análises que tem matriz heterosexistas, patriarcais, capitalistas, racistas e lesbofóbicas.

- Mapear as produções científicas elaboradas pelas lésbicas;

- Contribuir para a difusão da produção em publicações científicas reconhecidas;

- Promover a articulação entre as lésbicas pesquisadoras e os movimentos sociais;

- Apoiar sistematização das experiências de trabalhos realizados por organizações lésbicas ou outras organizações que desenvolvem intervenções voltadas para esta população;

- Promover espaços de discussão e reflexão sobre as produções acadêmicas das lésbicas pesquisadoras;

- Destacar a contribuição na construção do conhecimento das lésbicas pesquisadoras;


Depois da fundação, fomos todas para a casa, Jandira Queiroz inicia o gerenciamento dos emails para uma comunicação conjunta. Este email também seria uma forma de contato com outras lésbicas, e assim foram recebidos emails escritos por lésbicas que desejavam ingressar na rede, desta forma um problema ou uma solução aparece, mas precisa ser discutido, e nasce a questão: Quais são os critérios para a inserção de novas pesquisadoras lésbicas na rede? As fundadoras iniciam o debate, ainda não concluso, não por falta de interesse ou objetividade, mas sim, por estarmos situados no terreno das articulações entre a academia e o movimento social. Estamos atentas que não devemos nos submeter a um processo de colonização, tampouco ser consideradas não cientificas, muito embora, entre nós exista um desejo de sermos conscientes de que apostamos em uma nova epistemologia que caminha na teoria marxista, na teoria feminista crítica, na teoria lésbica, na teoria queer e na teoria da descolonização. Todas estas perspectivas partem da idéia de que o sujeito investigador é um sujeito de carne e osso, e não meramente, uma artificialidade dicotômica da tradição descartiana.

Outro passo importante para o fortalecimento da Rede, foi a criação do blog, uma iniciativa maravilhosa, mas precisa ser amadurecido e discutido mais democraticamente, de toda forma somos nós com as nossas individualidades que nos lançamos e oferecemos a nossa face. Não para apanhar, mas sim, para nos fortalecermos em nossas afinidades, e este é um momento ímpar de nossa história política.

No dia 29 de março de 2010, foi lançada a filial de nossa rede, com pesquisadoras baianas. Mais uma vez baiana, enquanto identidade política. Neste lançamento contamos com a presença de Mitchelle Meira – Governo Federal; Jandira Queiroz - Movimento social e Fundadora da Rede Internacional de Lésbicas Pesquisadoras; Geisa Santos, nova pesquisadora da rede e também representante do Governo Estadual (SEPROMI) e do Movimento Social e Suely Messeder professora da UNEB e doutora em antropologia, Fundadora da Rede.

A mesa é bastante representativa daquilo que nós desejamos, enquanto pesquisadoras lésbicas, nela tivemos a possibilidade de diálogo com o poder público, a presença clara dos movimentos sociais com a frutífera interlocução com a Universidade do Estado da Bahia. Éramos quatro mulheres interessadas em mostrar a nossa identidade, enquanto lésbicas, e ao mesmo tempo, mostrávamos as nossas singularidades, nós baianas com as nossas questões etnorraciais, nós pertencentes à rede com os nossos desejos de desmontar a presunção desta matriz heteropatriarcal, racista, misógina.... Que nos subjuga e nos torna a OUTRA.


Suely Aldir Messeder

Coordenadora do Núcleo de Gênero e Sexualidade – Diadorim

Professora doutora em Antropologia da Universidade do Estado da Bahia


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