Vote Em Nós

quarta-feira, 31 de março de 2010

Quem ama machuca?

A procuradora Vera Lúcia, acusada de torturar a menina que pretendia
adotar, tenta justificar sua crueldade culpando a criança. Uma testemunha
afirma que ela também batia na mãe. Como uma bruxa má, não
demonstra nenhum arrependimento e sua lógica é a da desrazão

Ronaldo Soares e Roberta de Abreu Lima

Alessandro Buzas/Futura Press

A PROCURADORA VERA LÚCIA
admitiu ter chamado T.E. de "cachorra": "Ela estava se recusando a comer e ainda por cima sujava a roupa toda de leite. Perdi a paciência
"

Os contos de fadas, cujos heróis enfrentam bruxas malvadas e lobos maus, inevitavelmente acabam bem. São uma forma de as crianças encararem e exorcizarem seus medos e angústias, dizem os psicanalistas. Mas, só no Brasil, há milhares de meninos e meninas que descobrem, desde muito cedo, que bruxas malvadas e lobos maus podem existir de verdade - e, pior, habitar a casa onde eles moram. A procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes, de 66 anos, é uma dessas bruxas malvadas de carne e osso. Presa de número 323 010 do Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, ela se entregou à polícia depois de passar oito dias foragida, acusada de torturar com frieza e fúria uma menina de 2 anos que estava sob sua guarda. Na semana passada, Vera Lúcia falou a VEJA. Estava vestida com o uniforme das presidiárias - blusa branca de malha, calça azul e chinelos de dedo -, tinha o cabelo pintado de loiro em desalinho e as unhas cor de vinho. Com os olhos fixos e a voz exaltada, ela negou a série de maus-tratos de que é acusada de infligir a T.E., a menina que estava prestes a adotar - mas assumiu sem nenhum fio de remorso a humilhação a que submeteu a criança. "Chamei a garota de cachorra mesmo", afirmou. E acrescentou: "Mas chamar alguém de cachorro não é ofensa. Os cães são mais amigos e leais do que muito ser humano por aí". Durante os 29 dias em que a pequena T.E. ficou sob os seus cuidados provisórios (os papéis para formalizar a adoção estavam correndo na Justiça), a procuradora a manteve trancafiada em um quarto. T.E., afirmam testemunhas, era alvo de xingamentos constantes e recebeu tantas surras que mal conseguia abrir os olhos, de tão inchados. Foi nesse estado que representantes do conselho tutelar a encontraram quando foram à casa de Vera Lúcia, movidos por uma denúncia anônima. T.E. passou três dias no hospital para tratar dos ferimentos. Hoje, de volta ao abrigo de menores onde vivia, ela pouco come e quase não fala. Quando um estranho chega perto, assusta-se e foge.

Marcelo Piu/Ag. O Globo

BRUTALIZADA
Quase sem conseguir fechar os olhos inchados pelas agressões, a menina T.E. é transportada para o abrigo onde estava antes de ser levada por Vera


O que faz alguém ser capaz de cometer tamanha brutalidade? E, sobretudo, o que faz alguém capaz de tal brutalidade querer adotar uma criança? A monstruosidade da procuradora é identificada por especialistas como típica dos psicopatas. Eles são capazes de entender intelectualmente a diferença entre o bem e o mal, mas não demonstram ter aquelas emoções que estão na base do senso moral das pessoas - como ilustra o caso de Vera Lúcia. "Ela não se compadece da dor alheia, não dá sinais de arrependimento e parecia ter prazer em subjugar a menina", afirma o psiquiatra Joel Birman. Vários episódios na biografia da procuradora revelam essa agressividade. Uma amiga da família de Vera Lúcia contou que, certa vez, recebeu a visita da mãe da procuradora, Maria de Lourdes, que viveu com a filha até morrer, em 2004. Segundo essa amiga, Maria de Lourdes confidenciou-lhe que, quando se enfurecia, Vera Lúcia lhe dava "uns tapas". "Fiquei em choque", disse a mulher a VEJA. Em delegacias do Rio, há registro de quinze boletins de ocorrência envolvendo a procuradora. Um dos casos ocorreu em 2008, ano em que ela estava às voltas com outro processo de adoção. Durante uma das visitas ao bebê, soube que a mãe havia desistido de entregá-lo (quatro anos antes, sua primeira tentativa de adoção tivera o mesmo desfecho). Raivosa, arrancou do recém-nascido as roupas que havia comprado. Não satisfeita, fez denúncia caluniosa contra a mulher, a quem acusava de querer vender a criança. A delegada que colheu seu depoimento, Maria Aparecida Mallet, lembra: "Ela agia de forma prepotente e tentava me intimidar: ‘Sabe que eu sou procuradora do estado?’".

Proveniente de uma família do subúrbio carioca, filha de um médico e de uma dona de casa, Vera Lúcia nunca manteve laços estreitos com os parentes, tampouco com seus ex-colegas no Ministério Público Estadual, onde trabalhou durante quinze anos. "Era muito competitiva, dada a picuinhas, e se achava a dona da verdade. Ninguém queria ficar perto dela", resume um ex-chefe. Depois que se aposentou, doze anos atrás, a procuradora passou a preencher o tempo com os animais de estimação (tem um poodle e dois gatos siameses), viagens de cruzeiro para o Nordeste e o tarô, que costumava jogar na internet para colegas de comunidades virtuais chamadas, nem tão ironicamente no seu caso, Caldeirão, Vassoura e Intuição e Magia Prática. Na denúncia contra ela encaminhada à Justiça consta a suspeita de que faria parte de uma seita satânica. Uma testemunha conta que viu, em seu apartamento de 200 metros quadrados, no bairro de Ipanema, Zona Sul da cidade, vodus e bonecos com rosto desfigurado, ladeados por imagens de Buda e uma coleção de 150 baralhos de tarô. Era ali que a procuradora costumava ficar reclusa. Diz o seu sobrinho Carlos Ariosto: "Ela é tão fechada que não chegou nem a apresentar à família a menina que iria adotar".


DE VOLTA
T.E., em foto recente, no abrigo de menores: ainda assustada, ela foge de desconhecidos



Casada duas vezes (uma delas com seu atual advogado, Jair Leite Pereira), Vera Lúcia optou por não ter filhos. Mas de seis anos para cá andava obcecada pela ideia de adotar uma criança. Chegou a escrever, no Orkut, a uma comunidade que reúne pretendentes à adoção: "Quero finalmente formar a família que nunca tive". Seu objetivo declarado era ter a quem deixar sua pensão como procuradora, hoje de 23 000 reais, e os bens, entre os quais uma casa debruçada sobre a valorizada Praia de Geribá, em Búzios. Esse tipo de argumento normalmente desqualifica o candidato à adoção por não traduzir um desejo genuíno de maternidade. Mas não é o único dado absurdo no processo que levou a procuradora a obter a guarda de T.E. A autorização do estado para que alguém com evidentes problemas psicológicos acolhesse uma criança em casa expõe as fragilidades da lei de adoção no Brasil - tanto a antiga, que vigorava quando Vera Lúcia conseguiu a autorização para adotar, quanto a atual (veja a reportagem).

Selmy Yassuda

PENSÃO DE 23 000 REAIS
Vera Lúcia diz que queria adotar para ter com quem deixar sua pensão e seus bens. Na foto, sua casa de praia em Búzios, com o muro pichado



Desde o dia em que chegou à casa da procuradora, no último 17 de março, T.E., a quem Vera Lúcia chamava de Bia, foi alvo de sua ira - segundo relatam as empregadas. "A patroa tapava o nariz da menina e enfiava a comida com a mão dentro de sua boca. Puxava o cabelo dela e a fazia bater a cabeça numa mesa de mármore com toda a força", conta Luzia de Almeida. Aos berros, Vera Lúcia ainda xingava: "Prefiro mil vezes meus bichos a você, sua sem-vergonha. Você é safada igual à sua mãe". A mãe de T.E., que vive de bicos no Rio, teve a menina com um italiano que nunca a registrou como filha. Abandonou-a por duas vezes, mas hoje, sem se identificar, afirma: "Quero reaver a guarda da minha filha". O quadro da menina preocupa os especialistas que a acompanham. Foram tantas as pancadas na cabeça que não se sabe se haverá sequelas neurológicas. Por decisão da Justiça, Vera Lúcia terá de custear o tratamento psicológico de T.E. e lhe pagar uma pensão mensal equivalente a 10% de seus rendimentos enquanto viver. Apesar da bruxa processada, não é um final de conto de fadas.

Com reportagem de João Figueiredo, Marcelo Bortoloti e Silvia Rogar

"Não faria sentido torturar uma menina que cuidaria de mim na velhice, certo?"

Presa há duas semanas depois de oito dias foragida, a procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes ocupa cela individual no Complexo Penitenciário de Bangu, Zona Oeste do Rio. Ela passa os dias num espaço reservado a mais oito presidiárias, algumas acusadas de tráfico de drogas. Com as mãos trêmulas e elevando a voz em alguns momentos, ela deu a seguinte entrevista ao repórter Ronaldo Soares:

Ernesto Carriço/Ag. O Dia/AE


A senhora é acusada de torturar durante 29 dias a menina de 2 anos que pretendia adotar. Isso é verdade?
De tudo aquilo de que estão me acusando, admito uma coisa: chamei a menina de cachorra mesmo. No dia em que isso aconteceu, tínhamos uma consulta médica. Ela estava se recusando a comer e ainda por cima sujava a roupa toda de leite. Aquilo foi me irritando profundamente e perdi a paciência. Mas discordo da maioria das pessoas que agora me condenam: para mim, chamar alguém de cachorro não é ofensa.

Se ocorresse com a senhora, como reagiria?
Dependeria da forma como a pessoa falasse. Pessoalmente, adoro cachorros. Diria até que são animais mais amigos e leais do que muito ser humano por aí. Tenho um cão poodle e dois gatos siameses, que crio como gente. Só que para bicho ninguém deixa herança.

O que a senhora quer dizer com isso?
Ganho muito bem como procuradora aposentada. Com tanta criança necessitada no mundo, pensei: ‘Quando morrer, por que deixar minha pensão para o estado?’. Foi por isso que decidi adotar essa menininha.

Se a senhora diz que não a machucou, qual é a explicação para o estado em que ela se encontrava quando foi retirada de seu apartamento?
O ferimento na testa eu sei o que foi: dei à menina umas uvas sem caroço, que ela espalhou pela casa toda e acabou se esborrachando. Meu apartamento tem chão de mármore e muito tapete persa - é fácil de escorregar. Mas o tombo provocou só um machucadinho de nada. Já estava sarando.

E os hematomas espalhados por todo o corpo dela?
A única coisa que eu sei é que fui à manicure, à tarde, e a deixei bem, em casa. Quando voltei, foi aquela surpresa: o conselheiro tutelar já a havia levado embora. Soube depois que ela estava toda arrebentada. Também gostaria de saber quem fez isso com aquela criança.

A senhora tem algum palpite?
Talvez tenha sido uma conspiração para tirá-la da minha casa. Veja esse conselheiro que foi ao meu apartamento para levar a menina embora... O rapaz é protestante e eu não. Prefiro jogar tarô. No conselho tutelar, teve gente espalhando que eu frequento seitas satânicas, uma mentira. Será que querem me prejudicar? Se for, é bom que saibam: a cadeia dói. Meu lugar não é aqui.

Como é sua rotina na prisão?
Durmo à base de Prozac, já emagreci 8 quilos e, quando ando de um canto para o outro, vou sempre com um guarda por perto. Sabe como é: as presas veem TV e, como qualquer ser humano, também pensam, julgam, raciocinam. E crime que envolve criança tem uma repercussão muito grande. É como estupro. Se saísse hoje para caminhar em Ipanema, sei que não chegaria em casa viva.

A senhora ainda pensa em adotar uma criança?
Acho que não mais. Meu sonho era ter adotado três, para formar a família que nunca tive. Adoro crianças. Não faria sentido nenhum torturar uma menina que cuidaria de mim na velhice, certo? Só se eu fosse louca.




Mamãe odiosa
Latinstock


SÓ FACHADA
A diva Joan, com Christina: crueldade e adoções para "fins publicitários"



Em 1978, um ano e meio após a morte de Joan Crawford, a mais velha das quatro crianças que a estrela adotara publicou Mamãezinha Querida, um livro autobiográfico que virou best-seller e estarreceu o público: segundo o relato de Christina Crawford, então com 39 anos, a ex-diva de Hollywood infligira a ela e a seu irmão Christopher tormentos que abrangiam acessos de fúria, períodos de cativeiro e espancamentos - em uma passagem que se tornou antológica no livro e no filme homônimo adaptado deste, Joan encontrou no armário da filha um cabide de arame e, como só os de madeira eram permitidos na casa, ela açoitou a menina impiedosamente com o item proibido. Segundo Christina, sua mãe era alcoólatra e não tinha nenhum afeto pelos filhos, que teria adotado apenas para fins publicitários. As duas filhas mais novas de Joan negaram tais acusações, alegando que o livro era uma vingança de Christina por ter sido cortada do testamento da estrela - aliás, riquíssima. Vários amigos de Joan, entretanto, confirmaram os episódios de maus-tratos. Também as autoridades deram crédito a Christina, que testemunhou em audiências federais e estaduais destinadas a estabelecer parâmetros para a proteção de menores e colaborou na reformulação das varas de família do condado de Los Angeles. A história de Christina, levada para a casa de Joan em 1940, com 1 ano, é emblemática também em outro aspecto do pesadelo em que se pode transformar a vida de um filho adotado: ela foi uma entre milhares de crianças vítimas de adoções ilegais perpetradas pela Tennessee Children’s Home Society, instituição que mantinha um vasto esquema para rapto e roubo de crianças, com a participação de médicos, enfermeiras e juízes.

Isabela Boscov

No BBB da Bandeira Gay, os machões ganharam...??

No 'BBB' que levantou a bandeira gay, os "machões" venceram
31 de março de 2010 • 00h00 • atualizado às 00h11

Danilo Saraiva



De São Paulo

Nunca na história do nosso País, como diz o presidente Lula, um reality show mostrou, com tanta profundidade, a relação humana da forma como o Big Brother Brasil 10. Nesta edição, a bandeira das minorias foi a da vez, levantada e fincada num pedestal. Passaram pela "casa mais vigiada do Brasil" - bordão do apresentador- tigrão-poeta Pedro Bial -, três homossexuais assumidos, alguns cujos nomes já circularam na boca dos assíduos de afamadas baladas gays do Rio e São Paulo e outros que, talvez, ficarão dentro do armário pro resto da vida.
Tais participantes logo serão esquecidos e, ao contrário dos novos milionários - como foram Rafinha, Mara, Max -, cairão no ostracismo ou tentarão a vida participando de quadros sensacionalistas da TV brasileira.



Mas se o BBB conseguiu dialogar com as minorias sexuais, foi também palco para guerras sociais, travadas entre belos e feios, magros e gordos, sarados e flácidos. Um campo de batalha propício para a supremacia da intolerância.
No circo televisivo às avessas, com o passar do tempo as alegrias foram transformadas em mágoas e as máscaras, aos poucos, caíram.


Com elas no chão, os "brothers" mostraram suas reais caras - isso para quem acredita que a brincadeira não é arquitetada ou, como dizem os céticos, manipulada.
O tão sonhado e apregoado R$ 1,5 milhão pesou na consciência de cada um, como se a disputa pelo prêmio fosse o gatilho, a porta de entrada para o show de horrores que se configura a humanidade. E, embalados pela onda permissiva do reality, a teleplateia, cansada de suas repressões sociais e do chato politicamente correto, também perdeu, junto, suas máscaras após dez anos.



Nas primeiras seis edições do programa, invariavelmente, o bonzinho sagrava-se vencedor, como o que inaugurou a "dinastia", Kleber Bambam, que chegou ao Olimpo do BBB acompanhado de sua boneca-cabide improvisada, em 2001.
A partir da sétima edição, o fim da era jedi se configurou e os espertinhos (mauzinhos? danadinhos?) , começaram a crescer e aparecer. A vitória do polêmico Diego Alemão, em 2007, é prova disso.



O ápice do "faça a guerra, não faça o amor" acontece com a ascensão do lutador de vale tudo e jiu-jitsu, Marcelo Dourado. Um brother eliminado em seu primeiro paredão, na oitava semana do BBB 4, que voltou por uma obra da sorte e jogou tão bem a ponto de ser encarado pelo público como homem verdadeiro, cujas derrotas na vida (e não no ringue) lhe fizeram vencedor.



Nos 78 dias de confinamento, Dourado teve atitudes que, se não tivessem sido milimetricamente arquitetadas, seriam encaradas como um típico quadro de esquizofrenia. Brigava quando estava no limite, mas sempre se "arrependia" e pedia desculpas. "Pai, perdoai-os, eles não sabem o que fazem". Tal frase foi citada, com suas devidas modificações, por Pedro Bial, quando El Douradon proferiu a pérola "hétero não pega aids", repercutida em páginas e páginas de jornais e, depois de muita ladainha, resultou num pedido formal de esclarecimentos do Ministério Público. Resumidamente, Dourado quis dizer que se um homem tem o vírus HIV, com certeza já teve uma relação sexual com outro em algum momento da vida. Declaração irresponsável, especialmente quando, afirmam as estatísticas da Organização Mundial de Saúde, mais mulheres e jovens - heterossexuais - estão contraindo a doença porque não se protegem adequadamente durante as relações sexuais.



A pouca informação de Dourado segue o estigma da aids, amplamente espalhado nas décadas de 1980 e 1990, quando o vírus era vulgarmente - e bote vulgar nisso - conhecido como "doença de viado". O lutador afirma que tal informação veio de um conhecido médico. Ao soltar a grosseria, a polêmica virou-se para seu lado, de forma positiva. Com pobres palhaços de circos expostos a ponto de falarem o que desejam, sem o mínimo veto da emissora que os colocou no ar em rede nacional, a plateia estava à vontade. Conseguia, enfim, se expressar diante de um mundo cada vez mais colorido e ameaçador. O que aconteceria dali pra frente? Onde ficaram os valores religiosos? E a família brasileira?



Dourado reverteu esse jogo. Mostrou que o mundo não era tão aberto como se pensava. Foi herói (como a maioria deles, contraditório) , pois, mesmo ateu, agradou gregos e troianos. De católicos a evangélicos. De filhos a avós da estruturada família brasileira - e que de estruturada, normalmente, tem pouco. Dentro da casa, seu preconceito foi revertido em tolerância - exceto quando explodia. Cabe lembrar.



Mas o lutador tinha total consciência de seus atos. Pedia perdão porque sim, lhe convinha. Fez amizade com Serginho e Dicesar porque seus colegas de confinamento os aceitavam, numa boa. Mais ainda, o público também poderia aceitá-los. Obviamente, ele sabia que nadar contra a maré seria sua morte no programa. Deveria agir na defensiva, mas jogando. Essa é a mensagem principal: jogar, sem que ninguém perceba.



Por sua vez, os gays da casa estavam longe de agradar o público padrão ¿ e, por definição, hipócrita. Afeminados, falavam de sexo sem meias palavras, davam selinhos, citavam gírias afetadas, desconhecidas por grande parte dos espectadores - e justamente por isso despertavam o ódio até mesmo dos seus companheiros dentro e fora do armário, que não gostavam de serem retratados daquela forma. Era a confirmação de um preconceito.



A grande vitória dessa edição é que o Big Brother Brasil 10 tornou-se um espelho da sociedade brasileira. Caetano Veloso estava certíssimo ao escrever, na letra de Sampa, que "Narciso acha feio o que não é espelho". Os narcisos finalmente se viram retratados no reality show mais assistido do Brasil. Dar "aquela espiadinha" funcionou como terapia. No mundo perfeito da casa do BBB, todo mundo diz o que pensa. Alegria para os dois lados: o da Globo, que conseguiu renovar uma franquia que já estava para lá de gasta, e o da sociedade, que ao contrário do que se pensava, não se distanciou muito da Idade Média. Que pesquisa de campo, que nada. O melhor termômetro da podridão humana é o BBB!


http://diversao.terra.com.br/tv/bbb10/noticias/0,,OI4349822-EI14549,00- bandeira+ gay+os+machoes+venceram.html

O diálogo das cores nas relações sociais.


As cores têm orientação ou são livres. Assim como algumas construções sobre os gêneros feminino e masculino tiveram as cores, direcionamentos relacionadas(os) e naturalizadas(os) ao homem e a mulher, sendo rosa personalizado a menina e azul ao menino e já determinando sua orientação sexual sem ao menos dar ao direito de apresentação e escolha pelas variadas cores existentes no “arco íris”. Utilizando as cores como exemplo de determinação biológica para naturalizar certos comportamentos historicamente construídos dentro de padrões patriarcais e heteronormativos, assim como as cores os indivíduos foram construídos em padrões binários e sem o questionamento das construções sociais, da relação indivíduo sociedade e sociedade e a cultura simbólica e material. Mitos desenvolvidos sobre os corpos e a sexualidade. Um indivíduo nasce ou torna-se, nas práticas de identidade, discutir a diversidade, discutir as relações entre os gêneros e observar o leque de informações hoje presentes na sociedade que precisa quebrar padrões binários e construir diálogos eqüitativos.
Postado por: Renata Sousa.

terça-feira, 30 de março de 2010

Duas mães, pode?

DUAS MÃES
Por: *Enézio de Deus


Mais um passo do Poder Judiciário brasileiro no reconhecimento da família homoafetiva. Desta vez, na Bahia, através de uma decisão pioneira no Estado.
Duas mulheres em união sólida de afeto há aproximadamente onze anos, E. M. dos S. e M. S. P., realizaram, juntas, o sonho da maternidade. A primeira, E. M. dos S., após algumas tentativas, engravidou por meio de inseminação artificial - com o seu material genético e o de um doador anônimo -, contando com o apoio irrestrito da sua companheira, M. S. P. O pequeno L. O. P dos S, portanto, do ponto de vista estritamente biológico, é filho de E. M. dos S., mas, afetivamente, o é, também, de M. S.P – que sempre compartilhou de todas as responsabilidades emocionais, materiais e acompanhou, de perto, todo o processo de um desejo conjunto.


Como na certidão de nascimento e nos demais documentos da criança somente constava o nome de E. M. dos S. (a que gestou), o casal resolveu acionar o Judiciário para que a dupla maternidade fosse reconhecida. Assim, M. S. P. ingressou com o pedido de adoção de L. O. P dos S, filho gestado pela sua companheira - em Salvador, perante a 1ª Vara da Infância e da Juventude.
Desde a 1ª edição do meu livro A Possibilidade Jurídica de Adoção por Casais Homossexuais, tenho versado sobre a relevância de o Poder Judiciário reconhecer a união sólida, mutuamente correspondida e justificada pelo amor entre pessoas, como teia familiar merecedora de respeito e de tutela jurídica, independente das suas orientações afetivo-sexuais. Com efeito, a convivência notória, estável e ostensiva, amalgamada pelo afeto, é família e se coaduna com o “caput” do art. 226 da Constituição Federal de 1988 na sua condição de cláusula geral de inclusão.




No labor jurisdicional, não podem ser protegidas algumas entidades familiares e excluídas outras (como as uniões entre homossexuais), somente por conta da ausência de uma previsão literal do legislador. Cabe, pois, ao Judiciário, no caso das famílias homoafetivas, suprir a lacuna do ordenamento, através da analogia com a união estável.

Tem sido de grande relevância, nos Juizados da Infância e da Juventude, os trabalhos de assistentes sociais e psicólogos(as) – profissionais, sem dúvida, preparados para sondar a ambiência familiar e a interação dos pais com a prole. Neste caso pioneiro no Estado da Bahia, no seu parecer fundamentado, a Psicóloga da 1ª Vara da Infância e da Juventude, Tatiana Lago, pontuou que “acontecimentos narrados tanto pela genitora quanto pela requerente, bem como as atitudes da mesma frente a tais episódios, também indicaram o estabelecimento de uma relação afiliativa incondicional, em que L. é reconhecido como verdadeiro filho, uma vez que a qualidade do vínculo estabelecido não foi comprometida pela ausência do laço biológico. (...) O preconceito que perpassa pela temática da homoafetividade foi amplamente discutido com o casal, o que possibilitou a percepção de um posicionamento consciente e maduro, por parte de ambas, frente a tal condição, o que reflete beneficamente na relação com L. e, portanto, no desenvolvimento psíquico do mesmo. (...)

M. é reconhecida por L. como uma referência parental e, portanto, para a criança, a inclusão de M. no registro de L. oferecerá ao mesmo uma representação simbólica mais coerente entre a realidade vivenciada por ele e a legitimação desta. (...) As interações promovidas indicaram a existência de um vínculo familiar saudável e de um convívio hábil à manutenção de um laço afetivo existente entre M. e L., em que a pleiteante demonstrou encontrar-se apta a continuar assumindo as responsabilidades com a criança, não tendo sido detectado, durante as avaliações, nenhum comprometimento de ordem psicológica que pudesse inabilitá-la.


” Assim, conclui o seu parecer: “Este pedido reforça o processo de naturalização de uma relação que não pode ser vista de forma inadequada ou patológica e, menos ainda, prejudicial à criança.”


A representante do Ministério Público, Drª. Jaqueline Duarte, manifestou-se favoravelmente à adoção de L. por M., ponderando que “as previsões constitucionais e civis não podem ser entendidas no sentido de que fora delas outros comportamentos não possam, também, ser regulamentados de forma idêntica.” Ainda, posicionou-se frisando que a troca de afeto, com o compartilhamento de uma vida em comum, é o que forma uma entidade familiar; daí a concluir: “Do exposto, opina o Ministério Público favoravelmente à ADOÇÃO requerida em favor da criança L. O. M. dos S., que passará a ser filho de M. S. P e de E. M. dos S. e a chamar-se L. O. P. dos S., consignando-se os nomes dos avós, a fim de que produza seus jurídicos e legais efeitos, na forma do quanto estabelece o art. 47 e seguintes do Estatuto da Criança e do Adolescente.”


Em sua louvável decisão (sentença datada de 09 de março de 2010), o Dr. Emílio Salomão Pinto Resedá demonstrou senso ético-humanístico, promoveu a necessária adequação da legislação disponível à realidade fática e se manifestou de modo favorável ao pleito, aduzindo que, “no caso concreto, a adotante convive homoafetivamente com a genitora do adotando, constituindo uma entidade familiar alicerçada na afetividade, estabilidade e ostensividade. Esse modelo familiar encontra apoio nos valores constitucionais, principalmente no princípio da dignidade da pessoa humana, estando implicitamente protegido pela Carta Magna no seu art. 226 e parágrafos.

A Constituição assegura ao sujeito liberdade de escolha das relações existenciais e afetivas para constituir a entidade familiar que melhor corresponda à sua realização existencial, nela desenvolvendo a sua própria personalidade. Na verdade, não é a família “per se” que é constitucionalmente protegida, mas o lócus indispensável de realização e desenvolvimento da pessoa humana.”


Ao prever, no caput do artigo 226 da Constituição Federal de 1988, que "a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado", o legislador constituinte, rompendo com uma história de verdadeira exclusão constitucional, pôs, pela primeira vez sob a tutela estatal, a entidade familiar, sem dizer, necessariamente, qual tipo de família é merecedor de proteção. Se até a Constituição de 1967, a única família albergada pela proteção estatal era a selada pelo casamento, a partir de Lei Maior de 1988, esta realidade limitante foi modificada. Assim, o que delineia, hoje, o que é uma base familiar é a convivência afetiva das pessoas, que deve gerar efeitos na órbita do Direito das Famílias.


Por isso, o magistrado, neste caso, de modo plausível, reconhece que “sem dúvida, hoje, a família é núcleo descentralizado, igualitário, democrático e, não necessariamente, heterossexual. Apoiada nos valores constitucionais e caracterizada como uma realidade presente, não há como desconhecer a existência de uniões entre pessoas do mesmo sexo e a produção de efeitos jurídicos derivados dessas relações homoafetivas. Embora permeadas de preconceitos, são realidades que o Judiciário não pode ignorar.


A falta de leis que regulamentem expressamente essas relações não é impedimento para a sua existência. (...) Na hipótese dos autos, a adotante, o Adotando e a genitora biológica deste constituem um núcleo familiar fundado no afeto e no amor. (...) Restou comprovado nos autos, de maneira indubitável, que o Adotando convive em um ambiente familiar consolidado e harmônico, apto a garantir-lhe o pleno desenvolvimento de suas habilidades cognitivas e emocionais. (...) Ademais, não há nenhuma regra legal no nosso ordenamento jurídico, mais especificamente, no Código Civil ou no ECA, que permita ou proíba a colocação do menor em lar substituto cujo titular seja homossexual. Logo, a nosso ver, o homossexual pode, sim, adotar uma criança ou adolescente. (...) Como, no caso em comento, trata-se de adoção por um dos conviventes do filho do outro, mantém-se o vínculo de filiação entre o Adotando, sua mãe biológica e respectivos parentes.” E, assim, o Juiz conclui a relevante decisão: “Pelas razões expostas, ante o cumprimento de todos os trâmites legais e o atendimento dos requisitos exigidos por lei, em consonância com o parecer do Ministério Público, julgo procedente o pedido da inicial, para reconhecer L. O. P dos S. como filho legítimo de E. N. dos S. e de M. S. P. nos termos dos arts. 39 e seguintes da Lei 8.069/90, mantendo-se o nome do infante L. O. P dos S.


Determino que se oficie ao Cartório competente para as devidas anotações no assento de nascimento do Adotando, onde deverão constar os nomes dos avós, sem que haja menção à condição materna ou paterna dos mesmos. Após o trânsito em julgado da sentença e o cumprimento de todas as formalidades legais, arquivem-se os autos e dê-se baixa nos registros do cartório.”
Em mais este exemplo de avanço, o Poder Judiciário, tão somente, reconheceu o que, de fato, já existe psiquicamente: o afeto especial que une E. N. dos S., M. S. P. e L. O. P dos S. Somente o preconceito para dificultar que se enxergue, na vida destas pessoas amalgamadas pelo amor, uma família. E. N. dos S., M. S. P. e L. O. P dos S. estão felizes e nós também compartilhamos deste contentamento.


O que se descortina em matéria de reconhecimento do AMOR em face do Poder Judiciário brasileiro, a partir das posições que esse vem tendo que assumir (ainda convivendo com atávicos preconceitos), aponta a direção mais bonita: a que independe de qualquer condição para que tal sentimento seja, efetivamente, atestado em toda sua inteireza e nas implicações que traz na vida relacional-familiar das pessoas – para além de cor, sexo, orientação afetivo-sexual, nuanças de gênero... Conjugar, no exercício da existência concreta, o verbo AMAR persistirá justificando a formação de uma família, qualquer que seja essa. Realmente, para enxergar a família, é preciso enxergar o amor. Se não se identifica afeto, não se vê família. A adoção, no seio da convivência de casais homossexuais, progressivamente acolhida pelo Judiciário brasileiro, é, tão somente, mais um dos inúmeros reflexos da realidade familiar com suas demandas por mais zelar, por mais cuidado e mais amor. Por isso, continuo ratificando e ecoando o cancioneiro: “Eu vejo a vida melhor no futuro. Eu vejo isso por cima do muro de hipocrisia que insiste em nos rodear”.


Enézio de Deus Silva Júnior – Advogado, membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), autor do livro A Possibilidade Jurídica de Adoção Por Casais Homossexuais (4ª edição / Juruá Editora). Mestrando em Familia na sociedade Contemporânea pela UCSAL emaill: eneziodedeus@hotmail.com

O cantor Ricky Martin diz que só pode assumir agora ser gay!

O cantor Ricky Martin diz que só pode assumir agora ser gay!




O cantor Ricky Martin Ricky Martin assumiu a sua homossexualidade nesta segunda-feira, 29. O cantor portorriquenho usou o seu blog pessoal para "sair do armário" e, em um texto em tom confessional, disse que se sentia livre para falar sobre o assunto.

"Nos últimos meses, estou escrevendo as minhas memórias. Um projeto que, eu sabia, seria verdadeiramente importante para mim porque, desde que escrevi a primeira frase, me dei conta de que seria a ferramenta que me ajudaria a me libertar de coisas que vinha carregando há muito tempo. Coisas que pesavam muito (...). Me dei conta de minhas verdades. E isso é para ser comemorado".


Reprodução/Metro


O cantor, que é pai dos meninos Matteo e Valentino, de 1 ano e meio, frutos de uma barriga de aluguel, continua: "Hoje, a serenidade me leva a um lugar muito especial, de reflexão, compreensão e muita iluminação. Me sinto livre! E quero compartilhar (...). Está claro que isso não poderia ser feito há cinco nem há 10 anos. Isso só poderia ser feito hoje, esse é o meu tempo, o meu momento".

"Esses anos de silêncio e reflexão me fortaleceram e me relembraram que o amor vive dentro de mim, que a aceitação eu encontro em meu interior, que a verdade só traz calma. (...) Escrever essas linhas é me aproximar da paz, parte vital da minha evolução. Hoje ACEITO A MINHA HOMOSSEXUALIDADE como um presente que a vida me dá. Me sinto abençoado por ser quem sou!", finaliza ele, em tom emocionado.

No Twitter, o blogueiro Perez Hilton parabenizou o cantor. "Estou muito orgulhoso de você", disse ele.

Fonte: http://yahoo.tecontei.com.br/noticias/ricky-martin-assume-a-sua-homossexualidade-em-blog-pessoal-74500.html

quinta-feira, 25 de março de 2010

Lula e Wagner inauguram gasoduto em Itabuna na Bahia.


Lula e Wagner inauguram gasoduto em Itabuna
e assinam edital da Oeste-Leste em Ilhéus


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Jaques Wagner inauguram, nesta sexta-feira (26), às 11h, o trecho do Gasoduto de Integração Sudeste-Nordeste (Gasene), em Itabuna, abrindo as válvulas de distribuição do gás natural para o Sul da Bahia.

Itabuna terá a primeira central de distribuição, implantada pela Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás), que contará com bases também em Mucuri e Eunápolis, no Extremo Sul da Bahia, e Catu, Região Metropolitana de Salvador.

A solenidade será no Parque de Exposições Antonio Setenta, na Rodovia BR-415, Km 36, e também terá a presença do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, do secretário estadual de Infraestrutura e presidente do Conselho de Administração da Bahiagás, João Leão, do presidente da Bahiagás, Davidson Magalhães, representantes dos setores industrial e comercial e moradores da região.

A central de distribuição da Bahiagás é interligada ao city gate (ponto de entrega) da Petrobras, em Itabuna. Até 2012, a Bahiagás planeja investir R$ 60 milhões na construção de 80 km de dutos para atender o mercado não-térmico dos municípios de Itabuna, Ilhéus, Eunápolis e Mucuri. Para o atendimento de diversos outros municípios do Sul do estado, estarão concluídos, até 2014, 250 km de gasodutos, com investimentos adicionais de R$ 100 milhões.

A distribuição do gás natural no Sul e Extremo Sul do estado cria condições para o desenvolvimento industrial, comercial e automotivo, beneficiando 32 municípios. A região também contará com o reforço do Complexo Multimodal de Transporte, composto pelo Porto Sul, a Ferrovia Oeste-Leste e um aeroporto internacional.



Credenciamento - O governador Jaques Wagner atende a imprensa nesta sexta-feira (26), às 9h, no Hotel Jardim Atlântico, em Ilhéus. Os veículos de comunicação e profissionais de imprensa interessados devem encaminhar a solicitação para o endereço de e-mail executiva@agecom.ba.gov.br informando o nome do profissional, veículo de comunicação, DRT, telefone e e-mail para contato.

Wagner vai falar sobre Gasene, ferrovia Oeste-Leste, PAC Saneamento, Minha Casa, Minha Vida, entrega de viaturas policiais e lançamento do programa de incentivo ao uso de gás natural pelos taxistas (linha de crédito Bahiagás/Desenbahia).

Às 15h, no Centro de Convenções de Ilhéus, Lula, Wagner e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, lançam edital de licitação para construção da Ferrovia Oeste-Leste, assinam contratos do programa Minha Casa, Minha Vida, do PAC Saneamento e entregam 27 veículos para as Polícias Civil e Militar na região Sul da Bahia.

Crack, pânico moral e a violência maquiada.

Crack, pânico moral e a violência maquiada.

Andreza Almeida*






Car@s Amig@s,


Recentemente o governo Federal e o Governo do Estado através do ministério da Saúde e da Secretaria de Segurança Pública da Bahia lançaram uma tenebrosa campanha sobre o crack, não bastasse o mau gosto estético das peças publicitárias, elas vêm carregadas de preconceito, estigmatização, reforço negativo para usuários e de dados sem nenhuma fundamentação científica.




Foi com muita surpresa que ao chegar no Engenho Velho da Federação, comunidade fortemente marcada por consumo, tráfico e violência me deparei com o outdoor que diz que 80% das mortes no estado da Bahia estão relacionadas ao crack.




O primeiro impacto vem da informação, que não é fruto de nenhum estudo sério, como pude confirmar após algumas averiguações entre os companheiros, que como eu, atuam nesta área de drogas e saúde.



O Segundo impacto é a identidade visual adotada, com o pé de um cadáver de um indigente com uma etiqueta, numa releitura anatômica da antiga mãozinha que dizia

“Sou careta, não uso drogas” adotada pelo mesmo ministério há alguns anos, agredindo as vistas e torturando usuários



As questões que campanhas como esta trazem são mais preocupantes se imaginarmos os milhares de usuários de crack que existem pelo estado, boa parte deles com uma experiência de miséria anterior ao uso, que vêem-se na condição de proto - cadáveres ambulantes, prontos para serem assassinados a qualquer momento para dar quorum aos 80% de mortos do governo.



Ou se pensamos nas famílias que ao invés de visualizarem uma saída para conflitos familiares, decorrentes de usos problemáticos, acabam completamente tomadas pelo medo e pela desesperança de que seus filhos, pais e irmãos tenham novamente uma vida saudável e socialmente produtiva.



A estimativa de 80% de homicídios, uma vez advinda da Secretaria de Segurança Pública, sem nenhuma base científica, nem fundamentação que tenha passado pelas mãos de estudioso através de métodos investigativos eficientes, como aplicação de questionários, cruzamento de informações, entrevistas e outras formas de coleta de dados, só podem estar baseadas nas ocorrências policiais.



Isso sim merece alarde! A política de extermínio social e encarceramento da pobreza não é nova, e nem é exclusividade nossa, muitos estudiosos americanos e europeus, como é o caso do professor Loic Waquant , que em seus livros “Punir os Pobres & Prisões da Miséria” denuncia que milhares de usuários sem envolvimento no comércio de drogas estão presos por conta de uma intensa política de controle social, a diferença é que nos Estados Unidos as prisões são privadas, e de alguma forma há um interesse econômico na prisão dessas pessoas, diferente da realidade brasileira onde mais um preso, é mais uma boca e um corpo a mais onde já não cabem colchões, a solução nós descobrimos: Homicídio.



Eu pergunto aos senhores idealizadores, financiadores e propagadores desta campanha: Quem está matando os usuários de crack? Por que uma coisa é dizer que o crack mata por seus danos inerentes a substância, outra coisa é dizer que homicídios vem sendo cometidos, quanto desses 80% são fruto de violentas ações policiais, se é pra falar de estatísticas assustadoras, apresentem-se as tabelas, as variações, os desvios padrões e dos outros elementos constituintes das porcentagens.



A pergunta não é mais quanto, a pergunta é quem, quem é que está morrendo? Quem é o indigente do pezinho etiquetado e quem são os homicidas?





Entre tantos equívocos, no entanto, nenhum é pior do que fazer uma campanha de pânico, antes de criar um suporte social para minimizar as dores propagadas, a violência anunciada e o medo espalhado aos quatro ventos.



A palavra ineficiente por si já seria suficiente para adjetivar ações infrutíferas e irresponsáveis como esta. As perguntas continuam, e entre elas a mais importante o que fazer para transformar a realidade social que permite o agravamento do problema do crack? Afinal sujeito, contexto e substância são as três coisas inseparáveis para analisar este tipo de fenômeno que se apresentem então interligados e indissociáveis, o resto são falácias irresponsáveis.


* Redutora de Danos da Aliança de Redução de Danos Fátima Cavalcanti- Faculdade de Medicina da UFBA.



Fonte: Lista do Fórum baiano Lgbt.

Tombos de amor naõ matam!?

Vai e vem do Amor.

Posted: 24 Mar 2010 02:45 PM PDT

por Astridy Gurgel em Sentindo na pele



Como os rios secam, o Amor também seca, às vezes!

É complicado constatar que o amor vai e vem, vai e vem.
É muito normal na nossa vida conhecer uma mulher, namorar, apaixonar e por fim amá-la com o passar do tempo.

O Amor é bonitinho porque ele chega devagar dominando o coração que fica todo fofo rodopiando de felicidade.
Ele não manda aviso, apenas chega se instalando. Você sente que está perdida, sabe que não tem como escapar de sua rede, mas tenta e como tenta fugir dele. Basta perceber a situação para começar a fugir.

A única forma de acabar com tudo é cortar as pequenas coisas que fazia com a mulher que está te enlouquecendo. Primeiro dá um jeito de dar um basta naquelas mensagens melosas que vocês viviam trocando. O celular que vivia dando o sinal de mensagem fica mudo rapidinho.

Outro elo entre vocês eram os e-mails. A caixa de e-mails que vivia carregada fica vazia, eles vão escasseando até sumirem de vez.
Os telefonemas também acabam. Sobra somente aquele silêncio que rasga seu peito. Sente somente aquela vontade de gritar porque o mundo, o seu mundo, nunca ficou tão silencioso.

Tudo termina como em um sonho. Você acorda num dia percebendo que mudou. Intimamente só sente vazio e saudade. Aquela saudade que aperta o peito, que rouba o ar, que te fere, aquela angustia desesperadora, tudo, tudo fica irremediavelmente mal.
Paz! Antes do Amor havia paz, com o Amor perde-se a paz.

É por essa razão que muitas se deixam dominar pelo medo batendo em retirada.
O amor é uma coisa doida mesmo.
Vale a pena amar e sofrer tanto?
O que é que vale a pena nessa vida?
O seu casamento intocável ou o seu namoro descontrolado?

Dois pesos, duas medidas e nada sabemos. Não sabemos quando fazemos certo, nem quando fazemos errado.
Errado é viver o Amor? Certo é fugir do Amor?
Essas perguntas são mesmo insuportáveis. Questionamentos e mais questionamentos sobre o Amor, porque acontece e porque acaba.

Você não entende porque quer! Não entende porque chora, porque anseia, porque deseja, mas se afasta.
Se o Amor chega com toda essa força e causa toda essa dor é normal temê-lo tanto. Num instante você está no céu e no outro no inferno. Não é nem um balde de água fria, parece mais que é aquela potente ducha da mangueira do corpo de bombeiros. Não sabe nem onde caiu. Só sente o baque quando está tentando levantar do tombo. O melhor de tudo é que tombos de Amor não matam.

O que isto faz é tirar suas ilusões, desnortear seus sentidos, arrebentar tudo por dentro, deixar você prostrada num canto, mas milagrosamente um dia… Stop! Neste grande dia você se vê livre da dor.
Renascida das cinzas você se sente forte novamente. O coração está zerado, firme, batendo no ritmo que dever bater normalmente.
De repente o Amor bonitinho volta a flertar com você. Conhece outra mulher capaz de deixar suas pernas bambas.
Mas será possível uma coisa dessas? Você nem se lembra mais da última vez e nem do quanto sofreu. Nem teve tempo de baixar a guarda porque não deu tempo de fechar a guarda.
Não adianta usar os famosos passos de bebe e muito menos a tática de pisar em ovos. A única coisa que você quer é avançar na direção dela. Você mergulha literalmente. Avança, sufoca, desgoverna a relação toda com sua quase falta de tato. Nem aquela vozinha amiga te pedindo para ir devagar consegue escutar mais. Você não escuta e não pensa. Só é capaz de pensar nela e no que fará para trazê-la para sua vida.

De novo uma nova paixão te tira do chão… “Dessa vez vai”, você pensa no seu intimo. Investe apostando todas as suas fichas. É tudo ou nada! Cega se entrega sem reservas.
Vive e como vive. Vive tudo, porque deixar para o dia seguinte é bobagem, o bom é o hoje e o agora.

Águas passam, horas voam, dias amanhecem e escurecem. Nada disto você sente ou percebe.
Num piscar de olhos vê tudo explodindo, desmoronando diante dos seus olhos. Vão pedaços para todos os lados. Você ainda tenta recolher os cacos, mas já era, acabou!

O Amor é assim, vem e vai. A paixão da mesma forma.
Assim é a vida! Assim são as emoções nos corações arrebatados e sensíveis. Assim são algumas mulheres…

Meninas vocês gostariam de comentar sobre este texto? Gostaria de saber a opinião de vocês sobre o assunto.
Desejo mais dias maravilhosos para vocês. Um lindo resto de semana e muito, muito amor em suas vidas.

Fonte: www.paradalesbica.com.br

quarta-feira, 24 de março de 2010

Projeto de lei de edil é contra Parada Gay de Sampa.

Vereador tenta impedir Parada Gay na Avenida Paulista
São Paulo: 24 de março de 2010 • 11h07

Um projeto de lei do vereador Carlos Apolinário (DEM) ameaça a realização da 14ª Parada Gay de São Paulo, marcada para 6 de junho. O texto entregue por Apolinário nesta terça-feira tenta impedir que o evento ocorra na Avenida Paulista, propondo que a organização seja transferida para o Campo de Marte, localizado na Zona Norte da cidade. A proposta entra na pauta de votações da Câmara dos Vereadores nesta quarta-feira.

Apesar das reclamações de que o evento atingiu dimensões incompatíveis com as condições da via, reunindo mais de 3 milhões de pessoas, o prefeito Gilberto Kassab confirmou a Paulista como trajeto da Parada Gay. A Polícia Militar e o Ministério Público Estadual também se manifestaram contra a repetição do local do evento após a morte de uma pessoa e a explosão de uma bomba que causou ferimentos em 30 pessoas em 2009.

Apolinário argumenta que o desfile pode ocorrer no Campo de Marte a exemplo da Marcha para Jesus e da festa do Dia 1º de Maio. O vereador reforça as críticas de que as forças de segurança mobilizadas para a parada (cerca de 2 mil policiais) são insuficientes para garantir a ordem em uma avenida "cheia de leitos hospitalares".

Em comunicado, a prefeitura informou que a Parada Gay cumpre as exigências previstas em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público Estadual. Kassab nomeou uma comissão para "tomar as medidas pertinentes" para garantir a segurança e ordem no evento.

Escrito nas linhas dos pés

Revolução Feminista na linha dos pés.

Por: Renata Sousa
Fotos Acervo particular das marchantes.

O saber compreendido na prática, mil mulheres brasileiras deixaram suas atividades por um ideal real, acreditaram ser possível uma caminhada de quase cem quilômetros pelo fim da violência, desigualdade entre os sexos, autonomia de vida e de desejos, igualdade salarial, e não mais a discriminação pela orientação sexual, a luta pelo respeito enquanto mulher dona de seu próprio corpo dizendo que não somos mercadorias, nem corpos padronizados.




Esta ação foi possível entre os dias 8 á 18 de março o qual a Marcha Mundial das Mulheres completa dez anos e cem anos de 8 de março, dia lembrado pelas militantes feministas de luta e pelo mercado capitalista de presentear a mãe, mulher carinhosa. Foram às ruas três mil mulheres em gritos de marcha até que todas sejamos livres, livres de toda opressão construída historicamente por uma cultura patriarcal e machista, e um mercado “capitalista” ilusório.





Ouvidas por todo lugar que a marcha passou, nas várias cidades entre Campinas e São Paulo, mostrando a força da mulher que não mais aceita este sujeito imposto a ela padronizando todo seu comportamento. Mulheres de luta, mulheres sujeitos, mulheres de desejos, mulheres iguais. Força Sempre. SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES – MMM. Esse é o nosso grito.


Renata Sousa é colunista do Katrina
Socióloga e Feminista.
Discute gênero nos assentamentos de santa Rosa, Guaçu
ambos em Dourados. Mato Grosso do Sul.
Atua com trabalho logistico com mulheres rurais pela SOF
Sempre Viva Organização Feminista Braisleira.

terça-feira, 23 de março de 2010

Marcha LGBT para que sejamos livres!!!

Manifesto



1ª Marcha Nacional contra a Homofobia - 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia

A Direção da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais -ABGLT, reunida em 02 de março de 2010, resolveu convocar todas as pessoas ativistas de suas 237 organizações afiliadas, assim como organizações e pessoas aliadas, para a I Marcha Nacional contra a Homofobia, vinda de todas as 27 unidades da federação, tendo como destino a cidade de Brasília. No dia 19 de maio de 2010, será realizado o 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia, com concentração às 9 Horas, no gramado da Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral Metropolitana de Brasília.

Em 17 de maio é comemorado em todo o mundo o Dia Mundial contra a Homofobia (ódio, agressão, violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT). A data é uma vitória do Movimento que conseguiu retirar a homossexualidade da classificação internacional de doenças da Organização Mundial de Saúde, em 17 de maio de 1990.

No Brasil, todos os dias, 20 milhões de brasileiras e brasileiros assumidamente lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais -LGBT têm violados os seus direitos humanos, civis , econômicos, sociais e políticos. “Religiosos” fundamentalistas, utilizam-se dos Meios de Comunicação públicos, das Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara Federal e Senado para pregar o ódio aos cidadãos e cidadãs LGBT e impedir que o artigo 5º da Constituição federal (“todos são iguais perante a lei") seja estendido aos milhões de LGBT do Brasil. Sem nenhum respeito ao Estado Laico, os fundamentalistas religiosos utilizam-se de recursos e espaços públicos (escolas, unidades de saúde, secretarias de governo, praças e avenidas públicas, auditórios do legislativo, executivo e judiciário) para humilhar, atacar, e pregar todo seu ódio contra cidadãos e cidadãs LGBT.

O resultado desse ataque dos Fundamentalistas religiosos tem sido:


1. O assassinato de um LGBT a cada dois dias no Brasil (dados do Grupo Gay da Bahia - GGB) por conta de sua orientação sexual (Bi ou Homossexual) ou identidade de gênero (Travestis ou Transexuais) ;

2. O Congresso Nacional não aprova nenhuma lei que garanta a igualdade de direitos entre cidadãos (ãs) Heterossexuais e Homossexuais no Brasil;

3. O Supremo Tribunal Federal não julga as Argüições de Descumprimento de Preceitos Fundamentais e Ações Diretas de Inconstitucionalida de que favoreçam a igualdade de direitos de pessoas LGBT no Brasil;

4. O Executivo Federal não implementa na sua totalidade o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT;

5. Centenas de adolescentes e jovens LGBT são expulsos diariamente de suas casas;

6. Milhares de LGBT são demitidos ou perseguidos no trabalho por discriminação sexual;

7. Travestis, Transexuais, Gays e Lésbicas abandonam as escolas por falta de uma política de respeito à diversidade sexual nas escolas brasileiras;

8. Os orçamentos da união, estados e municípios, nada ou pouco contemplam recursos para ações e políticas públicas LGBT;

9. O Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais precisam pactuar e colocar em prática a Política Integral da Saúde LGBT;

10. As Secretarias de Justiça, Segurança Pública, Direitos Humanos e Guardas-Municipais não possuem uma política permanente de respeito ao público vulnerável LGBT, agredindo nossa comunidade, não apurando os crimes de homicídios e latrocínios contra LGBT e nem prendendo seguranças particulares que espancam e expulsam LGBT de festas, shoppings, e comércio em geral.


A 1ª Marcha Nacional LGBT exige das autoridades Públicas Brasileiras:

Garantia do Estado Laico (Estado em que não há nenhuma religião oficial, as manifestações religiosas são respeitadas, mas não devem interferir nas decisões governamentais) ;

· Combate ao Fundamentalismo Religioso;

· Executivo: Cumprimento do Plano Nacional LGBT na sua totalidade, especialmente nas ações de Educação, Saúde, Segurança e Direitos Humanos, além de orçamentos e metas definidas para as ações;

· Legislativo: Aprovação imediata do PLC 122/2006 (Combate a toda discriminação, incluindo a homofobia);

· Judiciário: Decisão Favorável sobre União Estável entre casais homoafetivos, bem como a mudança de nome de pessoas transexuais.

Viva:

A 1ª Marcha Nacional LGBT contra a Homofobia no Brasil

O 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia


Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT

Fórum Baiano de Juventude Negra /Coordenação LGB

Pudim de sobremesa

Pudim de sobremesa
Por: Marta Medeiros.

Não há nada que me deixe mais frustrada
do que pedir Pudim de sobremesa,
contar os minutos até ele chegar
e aí ver o garçom colocar na minha frente
um pedacinho minúsculo do meu pudim preferido.
Um só.

Quanto mais sofisticado o restaurante,
menor a porção da sobremesa.
Aí a vontade que dá é de passar numa loja de conveniência,
comprar um pudim bem cremoso
e saborear em casa com direito a repetir quantas
vezes a gente quiser,sem pensar em calorias, boas maneiras ou moderação.

O PUDIM é só um exemplo do que tem sido nosso cotidiano.

A vida anda cheia de meias porções,
de prazeres meia-boca,
de aventuras pela metade.
A gente sai pra jantar, mas come pouco.

Vai à festa de casamento, mas resiste aos bombons.

Conquista a chamada liberdade sexual,
mas tem que fingir que é difícil
(a imensa maioria das mulheres
continua com pavor de ser rotulada de 'fácil').

Adora tomar um banho demorado,
mas se contém pra não desperdiçar os recursos do planeta.

Quer beijar aquele cara 20 anos mais novo,
mas tem medo de fazer papel ridículo.

Tem vontade de ficar em casa vendo um DVD,
esparramada no sofá,
mas se obriga a ir malhar.
E por aí vai.

Tantos deveres, tanta preocupação em 'acertar',
tanto empenho em passar na vida sem pegar recuperação...

Aí a vida vai ficando sem tempero,
politicamente correta
e existencialmente sem-graça,
enquanto a gente vai ficando melancolicamente
sem tesão...

Às vezes dá vontade de fazer tudo 'errado'.
Deixar de lado a régua,
o compasso,
a bússola,
a balança
e os 10 mandamentos.

Ser ridícula, inadequada, incoerente
e não estar nem aí pro que dizem e o que pensam a nosso respeito. Recusar
prazeres incompletos e meias porções.

Até Santo Agostinho, que foi santo, uma vez se rebelou
e disse uma frase mais ou menos assim:
'Deus, dai-me continência e castidade, mas não agora'...

Nós, que não aspiramos à santidade e estamos aqui de passagem,
podemos (devemos?) desejar
vários pedaços de pudim,
bombons de muitos sabores,
vários beijos bem dados,
a água batendo sem pressa no corpo,
o coração saciado.

Um dia a gente cria juízo.
Um dia.
Não tem que ser agora.

Por isso, garçom, por favor, me traga:
um pudim inteiro
um sofá pra eu ver Crepusculo,
uma caixa de trufas bem macias
e o Cauã Reymond, nu, embrulhado pra presente.
OK?
Não necessariamente nessa ordem.

Depois a gente vê como é que faz pra consertar o estrago ...
Fonte:http://mulhervermelha.blogspot.com/2010_02_01_archive.html#7290625898416029911

Quando uma etapa chega ao final.

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.


Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram. Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que se tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa, nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

PAULO COELHO

Veja e não veja além do óbvio.

Caiu a casa da revista Veja. Sob os escombros... a ruína moral

Texto:Zé Augusto

A revista Veja desta semana veio completamente desmoralizada. Uma leitura atenta revela toda a sua ruína moral, a ponto da revista sair da ofensiva e entrar na defensiva (ainda que se esforce para demonstrar o contrário, através de um texto raivoso).


As acusações que a revista fez nos números anteriores contra o PT, contra a Bancoop, e contra Vaccari, foram desmontadas uma a uma.

Um juiz considerou inepta a denúncia do promotor José Carlos Blat, já na semana anterior.

O Ministério Público Federal desmentiu completamente a revista, dizendo que Vaccari sequer foi mencionado nem na documentação enviada pela Procuradoria Geral da República, nem na denúncia apresentada à justiça contra o doleiro da Veja, Lucio Funaro.

A revista, se não tivesse inventado, teria apresentado algum documento, ou alguma declaração de alguém confiável, que confirmasse as acusações falsas que escreveu em suas páginas. Nada, nada, nada foi apresentado.

A miséria moral da revista se mostra, como uma fratura exposta, quando sonega dos seus leitores a versão do Ministério Público Federal, e esconde do leitor a recusa de um juiz em aceitar as petições do promotor Blat, por falta de fundamentação.

A revista fez ilações sobre tráfico de influência e corrupção em fundos de pensão, mas vergonhosamente não faz qualquer menção a respeito do contrato de aluguel do edifício da Editora Abril com a proprietária PREVI (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil).

Não diz nada sobre como a Editora Abril conseguiu um aluguel camarada da PREVI, em 1997, no governo FHC, quando o ex-caixa de campanha de Serra e FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, era diretor do Banco do Brasil, com forte influência no fundo de pensão.

Uma operação dessa natureza, sem ser feita às claras, traz um forte cheiro de corrupção, com a revista deixando de ser estilingue, e passando a ser vidraça.

A revista também esconde de seus leitores que seu jornalismo foi corrompido ao entregar notícia estragada, denunciando um boato de que fundos de pensão teriam tido prejuízo de R$ 43 milhões, em aplicações no fundo FIDC Bancoop, quando já era do conhecimento público que os R$ 43 milhões aplicados simplesmente já estavam quitados e pagos de volta aos fundos de pensão, com os devidos rendimentos.

A ruína moral da revista se aprofunda, quando percebe-se que a revista coloca a mão no fogo por um doleiro, réu em processo por lavagem de dinheiro, sempre escolhendo a palavra do doleiro em detrimento da palavra do Ministério Público Federal, expressa em notas oficiais da assessoria de imprensa. Entre um e outro, a revista prefere associar-se aos acusados de corrupção do que aos procuradores da república que colocam corruptos na cadeia.

O que transparece da "fé cega" depositada pela revista Veja no doleiro, é uma intimidade e proximidade incomum, que ultrapassa em muito o conceito de fonte jornalística. Sugere uma identificação com os valores, princípios e objetivos do doleiro. Desperta suspeitas de uma relação antiga de amizade, companheirismo ou de sociedade entre pessoas da revista com o doleiro.

Afinal, o que obriga a revista a publicar o que o doleiro quer? O que obriga a comportar-se como se fosse porta-voz do doleiro, ignorando a voz do Ministério Público Federal, chegando a publicar recados bisonhos, em tons de ameaça, típicos de máfias bufãs, que nenhuma revista séria publicaria, tais como:

Desde que começou a negociar a delação premiada com a Justiça, Funaro prestou quatro depoimentos sigilosos em Brasília. O segredo em torno desses depoimentos é tamanho que Funaro guarda cópia deles num cofre no Uruguai. "Se algo acontecer comigo, esse material virá a público e a República cairá", ele disse a amigos.


Vejam o quanto é bisonho este parágrago acima da Veja da semana passada.

Se Funaro já prestou depoimentos em Brasília, estes depoimentos já estariam no Ministério Público. Qual o sentido de guardar cópias num cofre, ainda mais no Uruguai?

A razão para alguém guardar documentos em um cofre no Uruguai, seria para que ficasse fora do alcance de mandatos de busca e apreensão no Brasil. Ora, os mandatos de busca e apreensão deste caso iriam parar no justamente no Ministério Público, onde os depoimentos já estariam, segundo a revista. Por isso esse parágrafo é uma piada sem-noção, para impressionar somente leitores idiotas (típicos fãs da revista).

Além disso, essa estória de "Se algo acontecer comigo, esse material virá a público e a República cairá" é mais ridícula ainda. Se os depoimentos estão no Ministério Público, então se a República tivesse que cair, já tinha caído há muito tempo.

Por fim o parágrafo termina com um "... ele [Funaro] disse a amigos". Que amigos são estes? Os amigos do doleiro dentro da revista Veja?

Não se sabe se este parágrafo idiota da revista reflete de fato declarações do doleiro, como diz a revista, ou se foi obra de ficção dos redatores da Veja, mas, independente da autoria, a revista ficou com a cara de porta-voz de chantagens de máfias bufãs, ao escrever isso, abrindo suas páginas para o doleiro mandar recados a quem teria o rabo preso com ele.

Na edição desta semana, a revista Veja, continua sua opção preferencial pela corrupção. Mas já "amarelou" e não trouxe reportagem de capa. Em seu texto limita-se a repetir bordões chamando o PT e a Banccop de "bobos, feios e malvados", sem qualquer acréscimo factual que possa trazer o mínimo de credibilidade. .. e continua a funcionar como "diário oficial dos corruptos" para publicarem seus recados mafiosos.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Sampa chega na frente para LGBTs.


São Paulo: novos decretos em favor da comunidade LGBT


Posted: 22 Mar 2010 09:49 AM PDT

Por G. da redação


Entre os novos decretos, está a criação do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT.
O governo do estado de São Paulo, publivou na última quinta-feira, dia 18, três novos decretos que favoressem a comunidade LGBT do estado. Os decretos passaram a valer a partir de então.

O primeiro decreto, nº. 55.587/10, institui o Conselho Estadual dos Direitos da População de Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Segundo o decreto, caberá aos membros do Conselho, entre outras atividades, participar da elaboração de políticas públicas que visem assegurar a efetiva promoção dos direitos da população LGBT, efetuar e receber denúncias que envolvam fatos e episódios discriminatórios, encaminhando-as aos órgãos competentes, além de propor e incentivar a realização de campanhas destinadas a promoção da diversidade sexual, dos direitos da população LGBT e o enfrentamento à discriminação homofóbica.

No segundo decreto nº. 55.588/10, uma das principais demandas o movimento LGBT foi atendida. Agora, transexuais e travestis têm garantido o direito à escolha de tratamento nominal nos órgãos públicos do Estado de São Paulo. No momento do preenchimento de cadastros ou ao se apresentar para o atendimento, a pessoa interessada poderá indicar o prenome social que corresponde à forma pela qual se reconhece. Os servidores públicos deverão tratar a pessoa pelo prenome indicado, que constará dos atos inscritos. O descumprimento deste decreto ensejará processo administrativo para apurar a violação da Lei 10.948/01.

Já o terceiro, nº. 55.589/10, regulamenta a Lei Estadual nº. 10.948/01, que trata das penalidades a serem aplicadas à prática de discriminação em razão de orientação sexual e identidade de gênero. Nele fica decretado que a apuração dos atos discriminatórios e a aplicação das penalidades previstas na Lei 10.948/01 serão realizadas por uma comissão especial, composta por cinco membros designados pelo secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania. Na hipótese de configuração de infração penal, a comissão especial, no prazo de 48 horas, contados de sua ciência, deverá comunicar o fato ao Ministério Público. Este decreto ainda permite que a Secretaria da Justiça faça convênios e termos de cooperação com entidades privadas ou públicas e estimula a prática dos atos necessários para um bom funcionamento do sistema de recebimento e julgamento das denúncias dos atos considerados como discriminação

Créditos ao site dykerama, pelas descrições simples e diretas sobre cada decreto, resultando então em uma maior compreensão dos mesmos pela nossa comunidade LGBT.



Lésbicas só pela internet?

Lésbicas só pela internet

Posted: 22 Mar 2010 05:22 AM PDT

por Laura Bacellar em Cultura L

Tenho tido contato com garotas que são lésbicas só na internet, dentro de seus quartos, diante do computador. Na vida, com pessoas, no trabalho, com seus pais elas são “heteros”.

Tudo bem quando isso é uma fase e a menina depois começa a testar suas asas, mas quando a moça diz que tem 25 ou 30 anos e está esperando arrumar um emprego, sair de casa, ser independente para viver, vejo aí um belo problema.

Porque a vida, como quem tem um pouco mais de idade bem sabe, passa rápido! Vejo meninas a caminho de se tornarem amanhã solteironas amargas, solitárias, sem uma rede de amigos gays e lésbicas com quem trocar experiências, sentindo-se isoladas em suas próprias famílias.

Eu conheço várias mulheres exatamente assim porque ficaram em casa durante os anos 70 e 80 em vez de se arriscarem a ter vivências homo. O mundo hetero não recompensa o nosso bom comportamento, lamento dizer.

Lá para trás era até mais compreensível você ser tomada de medo, já que o preconceito era gigantesco, não havia listas de lugares gls, a gente tinha que descobrir alguém que nos mostrasse onde era o único bar de caminhoneiras da cidade – que era bem baixaria mesmo – e aí ter coragem de entrar naquele ambiente tão estranho e proibido. As informações eram poucas e a sociedade – durante a ditadura, vamos lembrar – pouquíssimo favorável a minorias. Mesmo assim um monte de mulheres e homens homossexuais e transgêneros saíram de casa, do armário, arrumaram relacionamentos, se expuseram, inclusive eu mesma, que tive que enfrentar pais super católicos e amigos para lá de caretas.

Fico então pensando na razão de haver tantas moças assim hoje, sem coragem de sair do quarto e ir a um mero encontro lgbt (uma garota com bem mais de 20 anos me perguntou se podia usar pseudônimo nas reuniões do Projeto Purpurina, dá para acreditar?), sendo que agora há tantos recursos e informações que não existiam para a minha geração e a sociedade ficou tão mais aberta.

Cheguei a algumas conclusões, que convido você a comentar.

Acho que a internet, o celular, a comunicação com câmeras, os sites de relacionamento trouxeram uma interconectividade maravilhosa, que permite à moçada encontrar gente de mesmos gostos no mundo inteiro. Uma garota lésbica pode experimentar muita coisa pela internet, pode ter uma rede de amigas com quem conversa o dia inteiro, pode até fazer sexo virtual com outra no Piauí.

Essas avenidas de comunicação são maravilhosas, todo mundo tem mais é que usar. Só que não passam de comunicação. Falar não é viver. Fazer sexo virtual não é ter um relacionamento. Postar bobagens no orkut (ou leskut ou facebook ou twitter) não é ter amigos.

Somos seres de carne e osso e precisamos de contato ao vivo para criarmos vínculos. Ouvir a voz de alguém enquanto vemos as mudanças de expressão facial, os movimentos do corpo, o ritmo da respiração é muito diferente de ouvir uma vozinha eletrônica acompanhando uma imagem de câmera no canto da tela.

Conviver com alguém no mundo real, ir até um determinado endereço combinando hora, gastando de dinheiro e energia, negociando as vontades de ambas as partes é muito diferente de mandar mensagens instantâneas enquanto fazemos alguma outra coisa.

Ou seja, acredito que a geração que nasceu e cresceu com a internet sabe se comunicar eletronicamente, mas muitas vezes não sabe viver. E viver nessa terra caótica, nesse planeta complicado, vamos combinar, não é nada fácil. A gente precisa treinar um bocado para se sair bem.

Veja moços e moças espantados em primeiros empregos, quando descobrem que seus chefes não são anjos amorosos (como talvez suas mães), mas pessoas irritantes e exigentes com as quais eles não têm a menor prática de como lidar. Vejo adolescentes achando que todos em volta vão correr para ajudá-los em seus sonhos, como fazer um filme ou escrever um livro ou ter um relacionamento perfeito. Recebo toneladas de emails de garotos e garotas frustradas porque o mundo não colabora com suas ideias geniais. E vejo lésbicas jovens – ou talvez nem mais tão jovens – apavoradas de tomar uma atitude, porque seus pais ou namorados (!) ou amigos não vão aprovar.

Então aqui vai minha sugestão: se você está enfiada no seu quarto diante do computador, saia para a rua. Aprender a diferença entre mentiras e verdades, entre truques e sentimentos verdadeiros, entre paixão e amor só dá para acontecer biologicamente ao vivo. A gente precisa encontrar pessoas, trabalhar, interagir para entender os jogos de poder, as seduções, as sacanagens que regem nossa existência. E também para sentir até onde vai nosso poder.

Se você é lésbica como eu, vai precisar mais ainda treinar se opor ao mundo, conviver com a desaprovação, se arriscar em ambientes estranhos, conhecer o que seus pais não ensinaram. Não tem jeito. O que as pessoas da minha geração talvez soubessem com mais facilidade é que o mundo não é perfeito e a gente precisa agir para conseguir o que quer. Ninguém vai bater na sua porta para oferecer um emprego perfeito, nenhuma princesa encantada vai vir até o seu quarto se jogar na sua cama. Você é quem tem que ir atrás, doa a quem doer.

Minha sugestão é que, se você está com sua vida homo enfiada na gaveta, existindo apenas no virtual, que busque todas as oportunidades possíveis de encontros ao vivo com pessoas de minorias lgbt. Festas, bares, boates, ruas gls, lojas gls, encontros como os saraus que a Editora Malagueta promove, palestras, encontros como os do Grupo Purpurina, qualquer coisa. Experimente conhecer gente, ver como falam, experimente estar em ambientes onde homossexuais são maioria e muita gente diz nome e sobrenome sem medo. Não importa se você não tem dinheiro, não conhece, não sabe. Corra atrás, garanto que a experiência vai ser totalmente diferente de qualquer bate papo online.

Dá medo? Claro.

Tem garantias? Nenhuma.

Talvez ninguém goste de você? Talvez.

Talvez você encontre amigos e mulheres maravilhosas pelo caminho? É quase certo.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...